Treinamento físico: muito além da estética

Nos últimos anos muito se tem falado sobre os benefícios do exercício físico para a melhora da composição corporal, melhor dizendo, a tão sonhada redução do tecido adiposo e aumento da massa muscular.  Particularmente, essas adaptações são de grande importância para o ser humano, uma vez que, a partir da terceira década de vida ocorre redução de 10% a 15% de massa muscular por década e isso contribui para problemas de saúde, como por exemplo, fragilidade, aumento do risco de quedas e fraturas, dificuldade em carregar objetos pesados, aumento da fadiga, dificuldade de exercitar, redução da capacidade física e autonomia funcional, além de doenças como diabetes tipo 2 e as doenças cardiovasculares.

Sabendo de tudo isso, muitas pessoas questionam se o exercício físico é capaz de estabilizar e/ou reduzir todas essas situações? A resposta é, ao mesmo tempo, simples e complexa. Muitos estudos têm verificado que o exercício físico, principalmente quando aplicado em pessoas da terceira idade demonstra-se efetivo, com melhora dos parâmetros fisiológicos e funcionais. E uma das principais “culpadas” por esta condição é a musculatura esquelética. Já está bem claro que o musculoesquelético desempenha várias funções morfofisiológicas importantes, como a locomoção, sustentação, proteção e contração. No entanto, há alguns anos descobriu-se que o musculoesquelético possui outras funções fisiológicas, agindo de forma autócrina, parácrina e endócrina e, assim, regulando o metabolismo de outros tecidos, principalmente o tecido adiposo. Isso ocorre, principalmente, por conta da ação das miocinas que são sintetizadas e liberadas pelo tecido muscular esquelético em contração e, a partir de então, entende-se a importância da prática regular de exercício físico.  Dessa forma, o exercício físico é capaz de:

 

– Reduzir/inibir a ação da miostatina, que é um regulador negativo do crescimento muscular (fazendo-se útil no combate à sarcopenia e à caquexia);

 

– Aumentar os níveis de irisina que é responsável pela conversão de tecido adiposo branco em tecido adiposo bege, termogênese e função primordial sobre os mecanismos de memória (podendo estabilizar o avanço da doença de Alzheimer);

 

– Aumentar os níveis de IL-6 (no exercício, essa interleucina possui papel anti-inflamatório) que estimula a lipólise, melhora a ação da insulina e consequentemente a captação de glicose;

 

– Aumentar os níveis de IL-15 que é uma citocina relacionada com a massa muscular (sendo útil no combate à sarcopenia e caquexia);

 

Em suma, EXERCITE-SE!

 

Por: Dr. Hugo Zanetti

Professor e coordenador do curso de Educação Física do IMEPAC.

 

Referência

Lee JH and Jun H-S. Role of myokines in regulating skeletal muscle mass and function. Front. Physiol. 2019.